Durante anos, a comparação entre os dois medicamentos era feita por dedução: pegava-se o resultado de um estudo e o de outro, feitos com populações diferentes, e comparava-se como quem compara notas de provas distintas. Em 2025, isso mudou.
O ensaio
O SURMOUNT-5, publicado no New England Journal of Medicine, randomizou 751 adultos com obesidade e sem diabetes tipo 2 para receber tirzepatida (dose máxima tolerada de 10 ou 15 mg) ou semaglutida (dose máxima tolerada de 1,7 ou 2,4 mg), por 72 semanas.
O resultado
A perda média de peso foi de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida, uma diferença de cerca de 6,5 pontos percentuais em favor da tirzepatida. Em quilos: 22,8 kg contra 15,0 kg. A circunferência abdominal caiu 18,4 cm com tirzepatida e 13,0 cm com semaglutida.
Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais nos dois grupos, majoritariamente leves a moderados e concentrados na fase de escalonamento de dose.
A limitação que precisa ser dita
O SURMOUNT-5 foi um estudo aberto: participantes e pesquisadores sabiam qual medicamento estava sendo usado. Isso é uma limitação metodológica real, sobretudo em desfechos sensíveis a expectativa. Além disso, o estudo foi financiado pela fabricante da tirzepatida, o que não invalida o resultado, mas é informação que o leitor merece ter.
“Mais eficaz na média” não significa “melhor para você”. Tolerância, comorbidades, custo, disponibilidade e resposta individual pesam tanto quanto o número do estudo.
O que isso muda na consulta
- A escolha do medicamento continua sendo individual, e definida com base no seu quadro, não no ranking.
- Quem não tolera um pode tolerar melhor o outro. A melhor droga é a que você consegue usar de forma sustentada.
- Perda de peso média em estudo é média de grupo. A sua resposta pode ser maior ou menor.
- Nenhum dos dois substitui o que sustenta o resultado depois: alimentação, treino de força e acompanhamento.
Referências
Aviso importante
Conteúdo de caráter informativo e educativo, que não substitui a consulta médica nem constitui prescrição. Medicamentos citados são de prescrição obrigatória e possuem indicações, contraindicações e riscos que só podem ser avaliados individualmente. Resultados variam de pessoa para pessoa. Responsabilidade técnica: Dr. Kelvin Amanajás (CRM 3272-AP) · Dra. Duane Amanajás (CRM 3494-AP).
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