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Acompanhamento27 de janeiro de 2026 · 6 min de leitura

“Rosto de Ozempic”: o que a ciência realmente diz

O termo foi criado pela imprensa, não pela medicina. A revisão sistemática mais completa até hoje aponta para outra explicação: não é a droga, é a velocidade e o tamanho da perda de peso.

Poucos assuntos ligados ao emagrecimento com GLP-1 geraram tanto ruído quanto o chamado “rosto de Ozempic”: a impressão de que o rosto ficou mais fundo, mais flácido, mais envelhecido depois do tratamento. Vale separar o que é achado científico do que é manchete.

O termo nasceu na imprensa

Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Aesthetic Surgery Journal Open Forum reuniu tudo o que existia de literatura sobre o tema. O retrato é revelador: 23 artigos, 96% deles publicados entre 2023 e 2025, e a maioria composta por cartas, comentários, revisões e relatos de caso. Apenas três estudos tinham grupo de controle. Não há um único estudo que tenha medido, com exame de imagem, o volume dos compartimentos de gordura do rosto antes e depois do tratamento.

Os próprios autores da revisão escrevem que o termo “rosto de Ozempic” foi criado e popularizado por veículos de imprensa e provavelmente representa uma moda passageira, não uma nova terminologia médica nem um novo efeito colateral.

A explicação mais provável

A conclusão da revisão é que os análogos de GLP-1 não produzem uma atrofia direcionada da gordura facial. O que acontece é mais simples: uma perda de peso grande e rápida reduz a gordura de todo o corpo, inclusive a do rosto, e deixa a pele, cuja elasticidade já diminui com a idade, sobre uma camada de gordura mais fina.

Ninguém estranha que o rosto mude depois de uma perda de 20 kg por qualquer outro método. A diferença é que agora existe um remédio para culpar.

Sendo rigoroso: essa é a leitura dos autores da revisão, e é biologicamente plausível, mas não foi testada em comparação direta entre perda de peso com medicamento e perda de peso equivalente por dieta ou cirurgia. A literatura sobre o assunto ainda é magra.

O que dá para fazer, com honestidade sobre a evidência

Aqui é preciso cuidado, porque circula muita recomendação vendida como ciência. Vamos por partes:

O que isso significa para você

O acompanhamento sério não promete que seu rosto não vai mudar. Ele faz o que é possível fazer com base no que se sabe: conduzir a perda de peso em ritmo adequado, proteger a massa muscular e avaliar cada caso individualmente. E, quando o assunto vira estética facial, encaminhar para quem é da área, em vez de improvisar.

Referências

  1. 1.Daneshgaran G, Shauly O, Gould DJ. “Ozempic Face” in Plastic Surgery: A Systematic Review. Aesthet Surg J Open Forum. 2025;7:ojaf056
  2. 2.Lundgren JR et al. Healthy Weight Loss Maintenance with Exercise, Liraglutide, or Both Combined. N Engl J Med. 2021;384(18):1719-1730
  3. 3.Carboni A et al. Natural Weight Loss or “Ozempic Face”: Demystifying A Social Media Phenomenon. J Drugs Dermatol. 2024;23(1):1367-1368

Aviso importante

Conteúdo de caráter informativo e educativo, que não substitui a consulta médica nem constitui prescrição. Medicamentos citados são de prescrição obrigatória e possuem indicações, contraindicações e riscos que só podem ser avaliados individualmente. Resultados variam de pessoa para pessoa. Responsabilidade técnica: Dr. Kelvin Amanajás (CRM 3272-AP) · Dra. Duane Amanajás (CRM 3494-AP).

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