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Fundamentos14 de janeiro de 2026 · 6 min de leitura

Obesidade não é falta de força de vontade: é doença

Em 2025, uma comissão internacional redefiniu o que é obesidade clínica e tirou o IMC do centro do diagnóstico. Entenda o que mudou e por que isso importa para você.

Quase toda paciente que chega ao consultório já ouviu alguma versão da mesma frase: “é só fechar a boca”. Ela chega, muitas vezes, depois de anos de dietas que funcionaram por três meses e desandaram no quarto. A ciência tem uma explicação melhor, e ela não passa por caráter.

O que uma comissão internacional propôs em 2025

Em janeiro de 2025, a Lancet Diabetes & Endocrinology publicou o relatório de uma comissão liderada por Francesco Rubino, reunindo dezenas de especialistas, com uma proposta que mexe na base do assunto: parar de diagnosticar obesidade apenas pelo IMC.

A recomendação é direta: o IMC deve ser usado como medida aproximada de risco em nível populacional, para estudos epidemiológicos ou como rastreio, e não como medida individual de saúde. Só em IMC muito alto (acima de 40) é possível presumir o excesso de gordura sem confirmação adicional.

Obesidade clínica e obesidade pré-clínica

A comissão propõe separar dois cenários. Na obesidade clínica, há excesso de adiposidade acompanhado de sinais objetivos de disfunção de órgãos ou limitação das atividades do dia a dia: isso é doença, com todas as consequências que a palavra carrega. Na obesidade pré-clínica, há excesso de gordura com função preservada: é fator de risco, não doença estabelecida.

Na prática, o diagnóstico deixa de ser um número na balança e passa a exigir a confirmação do excesso de adiposidade, por medida direta de gordura corporal ou por pelo menos uma medida antropométrica além do IMC, como circunferência da cintura ou relação cintura-estatura.

Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter situações clínicas completamente diferentes. É por isso que a consulta existe: para olhar a pessoa, não a fórmula.

Por que isso muda o seu tratamento

Nada disso significa que hábitos não importam. Significa que cobrar de alguém que vença sozinha, na base da vontade, uma doença com fisiologia própria é tão razoável quanto pedir a uma pessoa hipertensa que baixe a pressão com determinação.

Referências

  1. 1.Rubino F et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(3):221-262
  2. 2.Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade (ABESO), 5ª ed., 2026

Aviso importante

Conteúdo de caráter informativo e educativo, que não substitui a consulta médica nem constitui prescrição. Medicamentos citados são de prescrição obrigatória e possuem indicações, contraindicações e riscos que só podem ser avaliados individualmente. Resultados variam de pessoa para pessoa. Responsabilidade técnica: Dr. Kelvin Amanajás (CRM 3272-AP) · Dra. Duane Amanajás (CRM 3494-AP).

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